Falar sobre aptidões pessoais, habilidades e talentos é algo que gosto muito. Principalmente, quando vejo alguém que conseguiu fazer germinar a semente do talento que veio consigo e transformá-la numa árvore que dá flores e frutos para sustentar a sua vida. Sustentos de diversas modalidades: econômicos, culturais, sociais, emocionais.
Sustentabilidade é a palavra da hora já há bastante tempo, mas muitas vezes tenho dúvidas se sabemos utilizá-la de uma maneira efetiva na nossa vida.
Então, o que vem a ser sustentabilidade? O dicionário Aurélio on-line define esse termo como “Qualidade ou propriedade do que é sustentável, do que é necessário à conservação da vida”.
Há várias formas de conservar a vida e além disso deixar a nossa marca ao passar por este planeta.
Neste sentido, os artesãos dão uma grande contribuição para construção de cultura e folclore se constituindo como cidadãos e produtores tanto da história de um grupo quanto da sua própria história. Com esta afirmação cultural, pode-se investir no desenvolvimento individual e social tendo como possíveis alvos a valorização da identidade pessoal e/ou de um grupo, a possibilidade de autossustentação econômica e aumento da autoestima tanto individual quanto social. Este tripé, que tem como tema a autopercepção, irá influenciar na produção como imagem do ser ou de uma comunidade no mundo, revertendo para si os ônus e bônus da energia investida.
Nas ruas da cidade de Salvador, Bahia, os artesãos se multiplicam e fazem de sua arte uma forma de sobrevivência. Vários trabalhos se destacam pela diversidade de materiais, formas e estilos. Ao indagar o artesão, que expunha seu trabalho numa calçada, em frente à praia, sobre o material utilizado, ele declarou que esculpia suas fachadas no tronco da cajazeira, que existe em abundância na região. Assim, a utilização de recursos naturais, que não necessitam de grande investimento financeiro do artesão, revela uma grande profusão de objetos artesanais nas ruas de Salvador, e marca a produção não só desta cidade, mas da região Nordeste. Este aspecto fortalece a identidade do grupo e da organização social e comunitária, além de construir sustentabilidade aos produtores.

Fachada esculpida no tronco da Cajazeira
Bem, falar em arte e artesanato sem mencionar as mãos é impossível!
Isto é fato, e podemos observar, através do tempo, a importância das mãos como possível constituição de um símbolo da criação, do poder e da transformação. Os símbolos se fazem presentes no mundo exterior pela ação transformadora de materiais através das mãos, representando um dos canais possíveis para a fluência das nossas sensações.

Agora, aptidões pessoais, talentos, sustentabilidade e ação das mãos, tudo isso junto num caldeirão criativo, como um rio que deixa fluir a nossa energia psíquica. Podemos produzir arte ou também sustentabilidade como os artesãos. O importante e essencial é sabermos que podemos ser donos da nossa produção mostrando quem somos como criadores de vida, cultura e sustentação com as mãos, talento e coração.
